A teoria das cordas é uma peça científica belíssima que alega unificar todas as forças do universo ao representar pequenas partículas como cordas vibrantes unidimensionais. É tão esperta quanto besta, mas é – convenientemente – impossível de ser testada. Pelo menos era até agora.

O problema é que a teoria das cordas, algumas vezes referida como a “teoria de tudo”, usa níveis tão extremos de energia e dimensões físicas minúsculas – cada corda deve ser um quintilhão de vezes menor do que um átomo de hidrogênio – que não existe um aparato em existência capaz de medir se as suas previsões são corretas. Isso é frustrante, mas também faz com que seus defensores a persigam obstinadamente, porque não há a necessidade de abandonar a ideia considerando que ela pode estar correta.

Mas agora pesquisadores da Universidade Towson afirmam que medidas incrivelmente precisas da posição de corpos no sistema solar fornecem um teste capaz de provar se a teoria está certa ou errada. Pequenas discrepâncias entre predições feitas pela teoria geral da relatividade e das cordas, eles dizem, podem ser determinadas se medidas precisas o suficiente forem feitas – coroando a teoria das cordas como vitoriosa ou apontando ela como vilã. A dupla apresentou o trabalho recentemente em uma conferência na Sociedade Astronômica Americana em Washington, DC, nos Estados Unidos. O Dr. James Overduin, um dos pesquisadores, explicou ao PhysOrg:

Cientistas fazem piada sobre como a teoria das cordas é promissora… e sempre será promissora, pela incapacidade de testá-la. O que nós identificamos foi um método simples para detectar falhas na relatividade geral que podem ser explicadas pela teoria das cordas, sem exigir praticamente nenhuma corda para isso.

O teste é na verdade uma extensão complexa da experiência fabulosa de Galileu, quando ele soltou duas bolas de diferentes pesos da Torre de Pisa. Mais tarde, Newton descobriu que todos os corpos orbitando estão essencialmente rodando o mesmo experimento, continuamente caindo em direção aos outros conforme eles vagam pelo espaço.

A pesquisa de Overduin sugere que podem ter mais pequenas peculiaridades na forma como corpos orbitam uns aos outros: desvios da terceira lei do movimento planetário de Kepler; tração nas zonas gravitacionais de equilíbrio conhecidas como pontos de Lagrange; e oscilações nas distâncias de órbitas devido à aceleração em direção a um terceiro corpo. Até hoje, essas ideias jamais foram testadas porque as variações envolvidas seriam incrivelmente pequenas.

Mas a equipe diz que existem corpos no sistema solar onde eles devem ser medidos – as luas de Saturno Tétis e Dione, por exemplo. E se puderem ser medidas, e existirem, então a teoria das cordas pode existir. Um grande momento para seus defensores.

Via Gizmodo/PhysOrg

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