Esta bola azul brilhante é o CFBDSIR2149. Localizado a apenas 100 anos-luz da Terra, esta joia solitária pode ser o primeiro planeta a vagar pelo espaço, independente de um sistema solar, detectado e confirmado por nós. Aparentemente ele é bem bonito, com uma visual similar ao de Netuno* embora entre quatro e sete vezes maior que Júpiter.

O CFBDSIR2149 não é o primeiro candidato a planeta errante. Mas de acordo com o Observatório Europeu do Sul, é o primeiro que astrônomos têm grande convicção de se tratar de um planeta realmente expelido de um sistema solar parecido como o nosso.

Cientistas detectam pequenos corpos celestes isolados desde a década de 1990, mas eles não conseguiam dizer se eram planetas de verdade ou uma estrela que nunca se acendeu — essa última é conhecida como anã marrom. Eles não conseguiam estudar as idades ou atmosferas porque elas ficavam muito próximas de estrelas brilhantes. Diferente dessas, o novo planeta representa a primeira oportunidade que os astrônomos têm de estudar um corpo errante detalhadamente. E suas conclusões são bem claras:

“A análise estatística da movimentação própria (sua alteração angular de posição no céu a cada ano) mostra 87% de probabilidade de que o objeto esteja associado com o grupo AB Doradus e mais de 95% de possibilidade de que ele é jovem o bastante para ter uma massa planetária, o que o torna muito mais parecido com o um planeta errante do que uma pequena estrela ‘falha’. Candidatos a planetas que vagam por aí mais distantes foram descobertos no passado em grupos de jovens estrelas, mas eles não podiam ser estudados em detalhes.”

A equipe, liderada por Philippe Delorme, estava atrás de anãs marrons quando conseguiu detectar esse objeto usando o Grande Telescópio da ESO e o Telescópio Canadá-França-Havaí.
Diferentemente de anãs marrons, esse objeto é muito provavelmente um planeta que foi ejetado de um sistema solar como o nosso graças à atuação de forças gravitacionais, como se alguém dissesse um sonoro “cai fora!” para Júpiter. De acordo com Delorme:

“Esses objetos são importantes, tanto para nos ajudar a entender melhor como planetas podem ser ejetados de sistemas planetários, quanto para compreender como objetos com muita luz surgem do processo de formação de estrelas. Se esse pequeno objeto for um planeta que foi ejetado do seu sistema nativo, ele consolida a chocante imagem de mundos isolados, que vagam no vazio do espaço.”

O planeta parece estar associado ao AB Doradus, um grupo de cerca de 30 estrelas que se movem na mesma velocidade e têm a mesma idade e composição. Os astrônomos acreditam que este planeta talvez tenha sido ejetado de um dos sistemas solares do grupo. [European Southern Observatory]
* O planeta é azul por causa da sua composição atmosférica. A arte que abre o texto mostra como ele seria se fosse iluminado por uma estrela, como qualquer outro planeta do nosso sistema solar. O que os cientistas viram na prática, porém, foi isso:

 

fonte: http://www.gizmodo.com.br/primeiro-planeta-sem-estrela/

Philippe Delorme