Mais rápido que a luz?

Os neutrinos, partículas subatômicas, podem alcançar uma velocidade superior à da luz, segundo os primeiros resultados divulgados nesta sexta-feira (23/09) da experiência internacional “Opera”, após testes realizados no laboratório de física Cern. A descoberta abala um dos principais princípios da Física.

A informação foi dada pelo Centro Francês de Pesquisas Científicas (CNRS), que dá conta da experiência realizada nas instalações do Cern, em Genebra, com o lançamento de neutrinos, disparados em direção a um laboratório italiano a 730 quilômetros de distância.

O centro francês qualifica o resultado com os neutrinos de “surpreendente”, mas titula seu comunicado, à espera da apresentação oficial dos resultados na cidade suíça, entre dúvidas: “Mais rápido que a luz?”.

Os neutrinos chegaram a seu destino, em Gran Sasso, 60 nanosegundos mais rápidos que a luz, que cobre essa distância em 2,4 milisegundos, explicou Dario Autiero, diretor da equipe e pesquisador do CNRS. “Iniciamos um dispositivo entre o Cern e o Gran Sasso que nos permitiu uma sincronização em nível de nanosegundos e medimos a distância entre os dois lugares com uma precisão de 20 centímetros”, explicou Autiero no comunicado do CNRS. “Estas medições apresentam poucas dúvidas e uma estatística tal que concedemos uma grande confiança a nossos resultados”, estimou.

Mais de um século depois de Albert Einstein ter enunciado a teoria da relatividade, em 1905, “a experiência ‘Opera’ testemunha resultados totalmente inesperados: os neutrinos chegam a Gran Sasso com uma vantagem pequena, mas significativa, com relação ao tempo que a luz teria levado para cobrir o mesmo percurso no vazio”.

Os resultados se baseiam na observação de mais de 15 mil neutrinos, precisou a instituição francesa.

Até agora, a velocidade da luz foi considerada um limite intransponível, e esta nova experiência “pode abrir perspectivas teóricas completamente novas”, acrescentou o CNRS.

A instituição acrescentou que os pesquisadores do programa “Opera” decidiram abrir o resultado dos testes “a um exame mais amplo” por parte da comunidade de físicos, já que são necessárias “medições independentes para que o efeito observado possa ser refutado ou formalmente confirmado”.

O Cern deve apresentar os resultados dos testes em um seminário especializado que terá início às 11h de Brasília em meio a uma grande expectativa.

No maior laboratório de física do mundo, trabalha-se há anos para chegar à resposta se é possível registrar velocidade superior à da luz – 299.792 quilômetros por segundo -, o que vai contra um pilar teórico da física.

Fonte: Época

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